Artigo informativo · 16 de outubro de 2026
O Brasil vive a reta final de uma das eleições mais disputadas das últimas décadas. Depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o país se prepara para o segundo turno presidencial, marcado para o dia 25, que colocará frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Este artigo resume, com base em informações publicadas pela imprensa e por institutos de pesquisa até esta sexta-feira, como está o tabuleiro político nacional.
O primeiro turno em números
Nenhum candidato alcançou mais de 50% dos votos válidos, o que levou a disputa para a segunda rodada. Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença, de menos de dois pontos percentuais, indica uma polarização que se mantém desde 2022, quando Lula venceu por margem estreita.
O comparecimento foi de 78,92%, e a abstenção chegou a cerca de 33,4 milhões de eleitores, a maior desde 1998, segundo levantamentos divulgados após a votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já sinalizou que pretende reduzir esse número no segundo turno. Um detalhe que chamou atenção: a última pesquisa Datafolha antes da votação apontava Lula à frente, e o resultado das urnas foi o inverso, o que reforça a cautela recomendada na leitura das sondagens.

O que dizem as pesquisas para o segundo turno
Os levantamentos mais recentes indicam uma disputa em empate técnico:
- Datafolha (divulgada em 15/10): Flávio Bolsonaro tem 47% e Lula 45% nos votos totais; nos votos válidos, 51% a 49%, dentro da margem de erro de dois pontos. A pesquisa registra redução da vantagem de Flávio em relação à anterior.
- Quaest (divulgada em 14/10): Flávio com 46% e Lula com 44%, também dentro da margem de erro.
Na avaliação do governo, o Datafolha aponta 40% de avaliação negativa e 35% de positiva. Ao longo do ano, a popularidade do presidente oscilou em torno de um empate entre aprovação e desaprovação, e a economia segue como um dos principais fatores de decisão do voto.
Congresso e estados: a força do PL
O resultado das urnas foi além da disputa presidencial. O PL saiu do primeiro turno com as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado. No Senado, o partido conquistou 19 das 54 vagas em disputa, o que forma a maior bancada da Casa desde 1988, segundo a imprensa. Na Câmara, os dois deputados federais mais votados da história, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, são do partido, ambos com mais de 3 milhões de votos.
Apesar disso, nenhum partido terá maioria isolada nas duas Casas, o que significa que o próximo presidente, seja quem for, dependerá de negociação para aprovar sua pauta. O Senado terá 40 senadores novos e 14 reeleitos a partir de 2027, e 12 mulheres foram eleitas para a Casa. Entre os eleitos já no primeiro turno estão Sergio Moro (PL), no Paraná, e Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais.
Nos estados, 20 governadores foram definidos sem necessidade de segundo turno, o maior número registrado neste século. O PL elegeu cinco, o PSD quatro e o PP dois. Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Seis estados e o Distrito Federal terão segundo turno para governador, e o PL segue na disputa no Rio de Janeiro e no Amazonas.

Economia: juros altos e inflação sob observação
O cenário econômico pesa sobre a campanha. Em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime. O comunicado do Banco Central descreve uma moderação gradual da atividade, com mercado de trabalho ainda aquecido, e inflação desacelerando, mas ainda acima da meta. A próxima reunião do comitê está marcada para 3 e 4 de novembro, poucos dias após o segundo turno.
Analistas de mercado observam que câmbio e juros reagiram ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e que o resultado de 25 de outubro tende a influenciar as expectativas dos investidores. O dólar estava em torno de R$ 5,15 em setembro. As projeções oficiais de inflação para 2026 ficam acima de 4,5%, e a alta dos alimentos é um ponto de atenção apontado por economistas.
O que observar até 25 de outubro
- Os votos dos que não escolheram nenhum dos dois: a disputa deve se decidir entre eleitores de candidatos eliminados e entre os que se abstiveram.
- A mobilização regional: historicamente, o Nordeste tende a favorecer Lula, enquanto Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste pendem para a direita. A participação em cada região pode ser decisiva.
- A abstenção: com o recorde desde 1998 no primeiro turno, a taxa de comparecimento no dia 25 pode mudar o resultado.
- A relação com o Congresso: com um Legislativo mais inclinado à direita, a governabilidade será um tema central independentemente do vencedor.
Considerações finais
A menos de dez dias do segundo turno, o país chega dividido ao meio, com pesquisas que não permitem apontar um favorito de forma conclusiva. O eleito tomará posse em 1º de janeiro de 2027 e enfrentará um Congresso fragmentado, juros ainda elevados e um eleitorado polarizado. Cabe ao eleitor se informar em fontes diversas, conferir as propostas de cada candidatura e comparecer às urnas.
Fontes consultadas: TSE e Senado Notícias (resultados do primeiro turno), Datafolha e Quaest (pesquisas de 14 e 15 de outubro), Banco Central (comunicado do Copom de 16/09/2026), Congresso em Foco, Correio da Manhã, Metrópoles e Genial Investimentos. Dados sujeitos a atualização até o dia da votação.



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